Blog

Posicionamento Médico

Ela tem cinco mil seguidores e lista de espera. Uma médica aqui no Brasil me disse que não usa mais o Google. Testamos. O resultado não foi bom pra ela.

Por Claudia Flehr · 6 de julho de 2026 · 6 min de leitura

Esse conteúdo te ajudou?

Cinco mil seguidores no Instagram.

Pra maioria dos médicos que me procuram, esse número é motivo de frustração. Pra Sally Greenwald, é irrelevante.

Sally é ginecologista. Formada na Tufts, residência na UCSF, professora afiliada à Stanford. Atende em Palo Alto, no coração da Califórnia. Especialidade: saúde sexual feminina e menopausa — tratando saúde hormonal como parte integral de longevidade.

Ela não busca seguidores. Ela busca as pacientes certas. E as pacientes certas a encontram.

Em novembro de 2025, o médico Peter Attia — um dos nomes mais influentes na medicina de longevidade no mundo — a convidou para o episódio 371 do seu podcast. Uma hora e meia de conversa técnica sobre desejo, excitação, hormônios, perimenopausa. O episódio foi para um público que já acredita que longevidade é o investimento mais sério que existe.

Sally não precisou pedir follow. Ela precisou de posicionamento.


Na semana passada, uma médica aqui no Brasil me procurou para orçamento.

Me disse que nunca tinha ligado pro Instagram dela, mas que agora queria mudar. Queria crescer. Queria ser encontrada.

No meio da conversa, mencionei o Google Meu Negócio.

Ela parou: "Ah, eu nem uso mais o Google. Eu pergunto pra inteligência artificial."

Eu disse: então vamos testar.

Perguntei pra IA quem era a médica referência na especialidade dela, na cidade dela.

A IA me deu o nome de uma colega.

Fui olhar o Google dessa colega: site estruturado, mais de quinhentas avaliações.

A médica que me procurou — que, segundo ela mesma, foi quem trouxe a tecnologia pra cidade primeiro — não tinha Google Meu Negócio. Nenhuma avaliação. Nenhum rastro verificável.

Isso não é problema de Instagram. É problema de existência digital.


O que aconteceu ali não é anedota.

Em um levantamento com mais de 1.200 buscas testadas em ChatGPT, Gemini e Perplexity, pesquisadores brasileiros identificaram que apenas 8% das clínicas analisadas aparecem espontaneamente nas respostas das IAs. Oito por cento.

O paciente de 2026 não começa a busca pelo Google. Ele abre o ChatGPT, descreve o sintoma, pergunta quem é referência na especialidade, na cidade. A IA responde com quem ela consegue verificar. Com quem tem presença coerente entre site, Google Meu Negócio, CRM público, LinkedIn, diretórios de especialidade.

Quem não é verificável, não existe na resposta. Simples assim.


Esses dois casos têm o mesmo problema no centro.

Não é sobre postar mais. Não é sobre número de seguidor. É sobre o médico ser o mesmo em todos os lugares onde alguém pode procurá-lo.

Ontem mesmo estávamos fazendo isso aqui na CF para um médico. Ele não colocava nem o CRM no nome do Instagram. No LinkedIn, tinha uma versão antiga — falando de coisas que ele nem defende mais hoje. Continuava lá, fixada no topo do perfil.

O que o paciente encontrava era um médico fragmentado. Um pouco de cada época, nenhum lugar completo.

Posicionamento não é presença em rede social. É coerência entre todos os canais onde alguém pode chegar até você: Instagram, Google, LinkedIn, site, IA.


Sally Greenwald entendeu isso antes de qualquer algoritmo existir.

Ela não tratou seguidor como meta. Tratou posicionamento como meta. E quando o podcast do Peter Attia a apresentou para dezenas de milhares de pessoas que tomam saúde a sério, o que elas encontraram foi uma médica inteira — site, credenciais, especialidade, voz editorial consistente.

A médica brasileira que não usava mais o Google também era inteira. Competente, pioneira, reconhecida pelos colegas. Mas invisível para quem não a conhecia pessoalmente.

O paciente que chega por indicação já confia. O paciente que pesquisa está decidindo se vai confiar. Esses dois públicos encontram coisas diferentes.


Se você não sabe o que aparece quando alguém te procura agora — no Google, na IA, no Instagram —, esse é o primeiro problema a resolver.

Não o décimo. O primeiro.

Porque cinco mil seguidores com posicionamento certo constroem lista de espera.

E quinhentos mil sem coerência não constroem nada além de números.

Paciente não segue médico. Paciente contrata confiança.


Referências: Peter Attia Podcast, ep. 371 — Sally Greenwald, nov/2025. GeoStack: levantamento com 1.200+ prompts de saúde em ChatGPT, Gemini e Perplexity, 2026. KOP Med: SEO médico em 2026 — agenciamedico.com.br